Metodologias de Formação
AUTOCONHECIMENTO E
METODOLOGIAS DE FORMAÇÃO
LUCIANO LINS
UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO
O professor repassa aprendizagem, o educador facilita as descobertas. Ambos são necessários. Ninguém sobrevive sem aprendizagem, o sujeito não se torna verdadeiramente humano se não se arriscar no desconhecido de sua alma. A questão é verificar da possibilidade de se descortinar territórios sem a interferência meramente do Eu. É possível desenvolver métodos que possam facilitar o autoconhecimento?
O primeiro ponto que pretendemos destacar para nossa reflexão, é que não existe nenhum método que por si mesmo abra os portais do desconhecido. Faz-se necessário o olhar do buscante para que os métodos possam tocar o âmago do Ser. Neste ponto, o que propomos é que as metodologias são rituais que ressoam ou não a alma humana e somente assim é possível acessar os portais do incognoscível.
Portanto, o que vamos apresentar no presente trabalho, é apenas uma indicação, uma possibilidade para ressoar a alma. Tudo depende do sujeito que se envolve na ação para buscar o autoconhecimento. Não se trata, pois, de um modelo infalível. Poderá facilitar algumas pessoas e não promover nenhuma ressonância em outras.
As Narrativas.
As Narrativas são formas de contatar a subjetividade com a finalidade de compartilhar com outros indivíduos que possam inspirar confiança e troca afetiva com o objetivo de acessar o desconhecido. As narrativas podem ser mítica, onírica ou autobiográfica.
Narrativas Míticas:
As narrativas míticas são metodologias para o autoconhecimento, que tratam das questões do imaginário criativo. Elas incluem os textos míticos, os contos de fadas e as lendas. A função das narrativas míticas é poder espelhar para o sujeito ou para o grupo alguma imagem arquetípica que esteja ancorado pelas identificações conscientes ou inconscientes do indivíduo ou do grupo. Ou seja, as narrativas míticas tanto apontam para potenciais inconscientes no indivíduo como também permite o processo de (des) identificação ou reconhecimento.
O Imaginário se expressa através dos sonhos, mitos e contos, tendo a capacidade de atingir aspectos do Ser, não digeridos pelo racional, pois sua linguagem é metafórica e poética. As histórias narradas são de natureza simbólica, e possibilita o mergulho do eu para a alma. Da mesma forma que os signos são considerados o veículo de comunicação e expressão do eu, os símbolos e as metáforas são considerados os veículos de comunicação e expressão da alma. Alma aqui pode ser traduzida como sinônimo de anima na terminologia da abordagem arquetípica. Representa os aspectos intuitivos, emocionais e criativos da personalidade. A alma ou psique faz a ponte com nossa existência e sentimento do eu e o sentido do incognoscível. A realidade última é inacessível, no entanto os símbolos atuam como pontes de referência, como algo que se aproxima do real.
Geralmente, os textos dos contos e dos míticos podem ser utilizados como formas de socializar, compartilhar e buscar símbolos do significado. Os textos podem ser lidos, a partir dos interesses dos alunos. Ou seja, os próprios alunos podem recorrer a textos que exerçam um certo fascínio sobre os mesmos. É desta forma que podemos partir de algum ponto mencionado para amplificar à luz simbólica dos significados recolhidos nos textos. Não se trata absolutamente de interpretar os textos, mas poder observar o que tocou o indivíduo ou o grupo. A partir de então, possibilitar aprofundar as questões existenciais vividas no contexto das salas de aulas e experimentadas dentro e fora do âmbito da mesma.
Perceber o padrão subjacente ao comportamento é um primeiro passo para o autoconhecimento. Sem dúvida que, se criando uma atmosfera de confiança, o grupo, seja tanto de educadores quanto de educando, poderá iniciar um processo riquíssimo no que concerne às descobertas pessoais.
Narrativas Oníricas.
As narrativas oníricas constituem os sonhos que vivenciamos e que pode ser socializado e compartilhado no e pelo grupo. O interesse inicial é de caráter pedagógico no sentido de partilha e não de interpretação.Geralmente os sonhos trazem em si mesmo alto valor afetivo, uma vez que traz à tona a intimidade do sujeito. Também é importante perceber que alguns sonhos demandam significados existenciais e símbolos que podem acessar os portais do incognoscível. A interferência do educador no sentido de pontuar o sonho pertence a uma etapa posterior, quando o grupo estiver conquistado sua autoconfiança. No entanto, vale salientar que as pontuações devem ser remetidas para o contexto do sonhador e seu objetivo é facilitar a compreensão de aspectos inconscientes da personalidade. O texto do sonho também pode ser amplificado para textos míticos, quando estiver claro a presença de padrões arquetípicos, e evidentemente quando for importante para o sonhador e para o grupo amplificar os sonhos. A amplificação é uma técnica muito utilizada no contexto da abordagem arquetípica e consiste em transpor o relato do sonho para as narrativas míticas. O sonhador pode, por exemplo, sonhar com uma pessoa falecida expressando a continuidade da vida após a morte. Neste caso, pode-se não apenas colocar em questão as preocupações do sujeito com a vida e a morte, como também contar uma passagem, cuja metáfora evoca esta situação. Pode-se, por exemplo, mencionar o livro tibetano dos mortos, onde se narra a passagem do “morto” no reino dos desencarnados. O objetivo não é absolutamente provar se existe vida depois da morte, mas procurar responder pelas indagações da alma, que não precisam vir como respostas concretas. Esse é, pois um exemplo de uma situação arquetípica e normalmente afeta o grupo como um todo, que passa a expressar suas preocupações, crenças, angústias e esperanças de uma etapa que é desconhecida para o eu.
Trabalhar com os sonhos em relação aos educadores quanto para os educandos é sem dúvida uma experiência muito interessante, pois estes permitem vir à tona a alma do sujeito de forma bastante sensibilizada. Uma aluna relatou que sonhava constantemente com um sujeito vestido de preto e acena para que esta o acompanhasse. Ao relato esta situação onírica, a aluna não somente se sensibilizou como também despertou a curiosidade e o medo de outras do grupo. A conotação foi que o “homem de preto” a convidava constantemente para ir vivenciar outras esferas incógnitas de sua personalidade da qual a moça sentia medo de experienciar. O relato do sonho emergiu na consciência da sonhadora vários sentimentos em relação ao seu significado existencial, assim como possibilitou despertar nos outros alunos este estado de coisas.
Narrativas Autobiográficas.
As narrativas autobiográficas aparecem com esta denominação em Lins[1] e na verdade é uma ampliação das Histórias de Vida. Ou seja, o sujeito escreve sua história de vida e posteriormente procura desvelar os arquetípicos que estão subjacentes aos padrões de comportamento que condicionam a vida do sujeito.
A primeira etapa para desenvolver este trabalho pode ser formulada através de seminários, onde os grupos são divididos em quartetos. As pessoas implicadas vão relatando acontecimentos, sonhos, poesias e qualquer outra situação que no momento desperte seu estado emocional. Posteriormente os indivíduos vão passando para o papel e vão delineando suas histórias. Os seminários poderão acontecer semanalmente, quinzenalmente ou uma vez por mês. O objetivo dos seminários é criar uma atmosfera favorável para a composição da Narrativa. A narrativa autobiográfica é um trajeto sobre o imaginário e não obedece a tempo cronológico ou mesmo acontecimentos factuais. O sonho, a poesia, um devaneio pode perfeitamente entrar no campo da narrativa. Importante é que tais passagens sejam compartilhadas pelo mesmo grupo e que este também esteja presente para identificação das figuras arquetípicas que estejam permeando o texto da narrativa.
Os arquétipos são matrizes universais da alma humana, que expressam situações experienciadas no individual com tonalidades coletivas. Rituais de nascimento e de morte, casamento, Estádios do desenvolvimento da personalidade humana. Figuras arquetípicas como Anjo guardião, persona, sombra, anima e animus, são algumas imagens arquetípicas da psique. Ou seja, os arquétipos representam situações básicas e primordiais da psique humana, da mesma forma que o aparato biofisiológico é a matriz da materialidade do Ser. O problema que é focalizado pela abordagem arquetípica é de ter carregado muito psicologicamente as estruturas arquetípicas, deixando-se de perceber e aprofundar suas contrapartes biológicas, fornecendo fundamento para uma ciência integral e integrada. Todavia, esta discussão acontecerá em outros textos, mais adiante. No momento o que nos interessa é que o sonho podem ser trabalhado no seu contexto individual, a coletividade existencial, presente na estrutura da personalidade.
Supervisão Psicopedagógica.
Outro método que pode ser utilizado em ciências da educação pelos educadores é a supervisão psicopedagógica. A inspiração inicial foi o modelo da supervisão psicanalítica, que consiste em trabalhar a relação analista/analisando numa perspectiva da transferência e contra-transferência. Ou seja, no contexto do trabalho analítico as emoções e envolvimentos entre psicanalista e cliente são levados para a supervisão no sentido de dissociar a função transferencial. Ou seja, o envolvimento de ambas as partes no tratamento impede o próprio tratamento, uma vez que sai de foco os conteúdos inconscientes para entrar em cena os envolvimentos afetivos e emocionais. No âmbito da escola acontece a mesma coisa. O tipo de relação estabelecida na dinâmica professor/aluno pode impedir não somente questões referentes à aprendizagem como também o processo de facilitação para o autoconhecimento.
Para esta finalidade são formados pequenos grupos (até 10 componentes no máximo), onde os educandos expõem situações vivenciadas em sala de aula (ou em outro contexto), para que seja tornada consciente a projeção do sujeito. Até aqui pode ser utilizado o modelo psicanalítico tradicional. No entanto, também pensamos ser necessário acrescentar alternativas. A primeira delas é incrementar aos trabalhos alguma modalidade das narrativas para que o inconsciente possa se abrir para outras esferas além da relação transferencial. A criatividade deve ser um componente dinâmico buscado no processo do autoconhecimento, e utilizar elementos da psicologia transpessoal, (o sonho acordado, imaginação ativa) diário de bordo, meditação e outros ingredientes, podem ser bem vindos quando o propósito não é doutrinar a psique, mas facilitar sua auto-descoberta..
Ainda uma palavra.
Acreditamos que sempre é importante enfatizar que esta ou qualquer metodologia de formação, não é a verdade absoluta ou o caminho para ser rigorosamente percorrido por educadores ou quem quer que seja. São apenas sugestões para ser tomadas ou postas de lado, depende da escolha de cada um.
Do mesmo modo, é importante esclarecer que quando definimos a individuação como a emergência da consciência nas dimensões da alma (Histórica, Mítica e Mística), estamos apenas sugerindo um modelo teórico da personalidade. A prática é outro terreno, que no momento em que se procura estabelecer parâmetros de causalidade entre teoria e prática, cai-se na armadilha de desvirtuar o sentido do autoconhecimento e a possibilidade de descobrir a si mesmo. Este é perigo do mundo acadêmico quando tratamos das relações humanas. Esquecer de si e do outro como construção para escutar os modelos teóricos. Os modelos são pistas que podem indicar as formações estruturais da personalidade, de acordo com a visão de determinado estudioso. Não se trata de verdade par se comprovada, posto que nosso sistema de crenças geralmente são comprovados numa ou noutra argumentação. E então deixamos de perceber as qualidades genuínas e criativas da alma humana.
[1] O Mito do Significado no Contexto da Religiosidade numa Narrativa Autobiográfica: Reflexões para uma Pedagogia da Individuação. Tese de doutorado. Porto.FPCE-UP.2002.
METODOLOGIAS DE FORMAÇÃO
LUCIANO LINS
UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO
O professor repassa aprendizagem, o educador facilita as descobertas. Ambos são necessários. Ninguém sobrevive sem aprendizagem, o sujeito não se torna verdadeiramente humano se não se arriscar no desconhecido de sua alma. A questão é verificar da possibilidade de se descortinar territórios sem a interferência meramente do Eu. É possível desenvolver métodos que possam facilitar o autoconhecimento?
O primeiro ponto que pretendemos destacar para nossa reflexão, é que não existe nenhum método que por si mesmo abra os portais do desconhecido. Faz-se necessário o olhar do buscante para que os métodos possam tocar o âmago do Ser. Neste ponto, o que propomos é que as metodologias são rituais que ressoam ou não a alma humana e somente assim é possível acessar os portais do incognoscível.
Portanto, o que vamos apresentar no presente trabalho, é apenas uma indicação, uma possibilidade para ressoar a alma. Tudo depende do sujeito que se envolve na ação para buscar o autoconhecimento. Não se trata, pois, de um modelo infalível. Poderá facilitar algumas pessoas e não promover nenhuma ressonância em outras.
As Narrativas.
As Narrativas são formas de contatar a subjetividade com a finalidade de compartilhar com outros indivíduos que possam inspirar confiança e troca afetiva com o objetivo de acessar o desconhecido. As narrativas podem ser mítica, onírica ou autobiográfica.
Narrativas Míticas:
As narrativas míticas são metodologias para o autoconhecimento, que tratam das questões do imaginário criativo. Elas incluem os textos míticos, os contos de fadas e as lendas. A função das narrativas míticas é poder espelhar para o sujeito ou para o grupo alguma imagem arquetípica que esteja ancorado pelas identificações conscientes ou inconscientes do indivíduo ou do grupo. Ou seja, as narrativas míticas tanto apontam para potenciais inconscientes no indivíduo como também permite o processo de (des) identificação ou reconhecimento.
O Imaginário se expressa através dos sonhos, mitos e contos, tendo a capacidade de atingir aspectos do Ser, não digeridos pelo racional, pois sua linguagem é metafórica e poética. As histórias narradas são de natureza simbólica, e possibilita o mergulho do eu para a alma. Da mesma forma que os signos são considerados o veículo de comunicação e expressão do eu, os símbolos e as metáforas são considerados os veículos de comunicação e expressão da alma. Alma aqui pode ser traduzida como sinônimo de anima na terminologia da abordagem arquetípica. Representa os aspectos intuitivos, emocionais e criativos da personalidade. A alma ou psique faz a ponte com nossa existência e sentimento do eu e o sentido do incognoscível. A realidade última é inacessível, no entanto os símbolos atuam como pontes de referência, como algo que se aproxima do real.
Geralmente, os textos dos contos e dos míticos podem ser utilizados como formas de socializar, compartilhar e buscar símbolos do significado. Os textos podem ser lidos, a partir dos interesses dos alunos. Ou seja, os próprios alunos podem recorrer a textos que exerçam um certo fascínio sobre os mesmos. É desta forma que podemos partir de algum ponto mencionado para amplificar à luz simbólica dos significados recolhidos nos textos. Não se trata absolutamente de interpretar os textos, mas poder observar o que tocou o indivíduo ou o grupo. A partir de então, possibilitar aprofundar as questões existenciais vividas no contexto das salas de aulas e experimentadas dentro e fora do âmbito da mesma.
Perceber o padrão subjacente ao comportamento é um primeiro passo para o autoconhecimento. Sem dúvida que, se criando uma atmosfera de confiança, o grupo, seja tanto de educadores quanto de educando, poderá iniciar um processo riquíssimo no que concerne às descobertas pessoais.
Narrativas Oníricas.
As narrativas oníricas constituem os sonhos que vivenciamos e que pode ser socializado e compartilhado no e pelo grupo. O interesse inicial é de caráter pedagógico no sentido de partilha e não de interpretação.Geralmente os sonhos trazem em si mesmo alto valor afetivo, uma vez que traz à tona a intimidade do sujeito. Também é importante perceber que alguns sonhos demandam significados existenciais e símbolos que podem acessar os portais do incognoscível. A interferência do educador no sentido de pontuar o sonho pertence a uma etapa posterior, quando o grupo estiver conquistado sua autoconfiança. No entanto, vale salientar que as pontuações devem ser remetidas para o contexto do sonhador e seu objetivo é facilitar a compreensão de aspectos inconscientes da personalidade. O texto do sonho também pode ser amplificado para textos míticos, quando estiver claro a presença de padrões arquetípicos, e evidentemente quando for importante para o sonhador e para o grupo amplificar os sonhos. A amplificação é uma técnica muito utilizada no contexto da abordagem arquetípica e consiste em transpor o relato do sonho para as narrativas míticas. O sonhador pode, por exemplo, sonhar com uma pessoa falecida expressando a continuidade da vida após a morte. Neste caso, pode-se não apenas colocar em questão as preocupações do sujeito com a vida e a morte, como também contar uma passagem, cuja metáfora evoca esta situação. Pode-se, por exemplo, mencionar o livro tibetano dos mortos, onde se narra a passagem do “morto” no reino dos desencarnados. O objetivo não é absolutamente provar se existe vida depois da morte, mas procurar responder pelas indagações da alma, que não precisam vir como respostas concretas. Esse é, pois um exemplo de uma situação arquetípica e normalmente afeta o grupo como um todo, que passa a expressar suas preocupações, crenças, angústias e esperanças de uma etapa que é desconhecida para o eu.
Trabalhar com os sonhos em relação aos educadores quanto para os educandos é sem dúvida uma experiência muito interessante, pois estes permitem vir à tona a alma do sujeito de forma bastante sensibilizada. Uma aluna relatou que sonhava constantemente com um sujeito vestido de preto e acena para que esta o acompanhasse. Ao relato esta situação onírica, a aluna não somente se sensibilizou como também despertou a curiosidade e o medo de outras do grupo. A conotação foi que o “homem de preto” a convidava constantemente para ir vivenciar outras esferas incógnitas de sua personalidade da qual a moça sentia medo de experienciar. O relato do sonho emergiu na consciência da sonhadora vários sentimentos em relação ao seu significado existencial, assim como possibilitou despertar nos outros alunos este estado de coisas.
Narrativas Autobiográficas.
As narrativas autobiográficas aparecem com esta denominação em Lins[1] e na verdade é uma ampliação das Histórias de Vida. Ou seja, o sujeito escreve sua história de vida e posteriormente procura desvelar os arquetípicos que estão subjacentes aos padrões de comportamento que condicionam a vida do sujeito.
A primeira etapa para desenvolver este trabalho pode ser formulada através de seminários, onde os grupos são divididos em quartetos. As pessoas implicadas vão relatando acontecimentos, sonhos, poesias e qualquer outra situação que no momento desperte seu estado emocional. Posteriormente os indivíduos vão passando para o papel e vão delineando suas histórias. Os seminários poderão acontecer semanalmente, quinzenalmente ou uma vez por mês. O objetivo dos seminários é criar uma atmosfera favorável para a composição da Narrativa. A narrativa autobiográfica é um trajeto sobre o imaginário e não obedece a tempo cronológico ou mesmo acontecimentos factuais. O sonho, a poesia, um devaneio pode perfeitamente entrar no campo da narrativa. Importante é que tais passagens sejam compartilhadas pelo mesmo grupo e que este também esteja presente para identificação das figuras arquetípicas que estejam permeando o texto da narrativa.
Os arquétipos são matrizes universais da alma humana, que expressam situações experienciadas no individual com tonalidades coletivas. Rituais de nascimento e de morte, casamento, Estádios do desenvolvimento da personalidade humana. Figuras arquetípicas como Anjo guardião, persona, sombra, anima e animus, são algumas imagens arquetípicas da psique. Ou seja, os arquétipos representam situações básicas e primordiais da psique humana, da mesma forma que o aparato biofisiológico é a matriz da materialidade do Ser. O problema que é focalizado pela abordagem arquetípica é de ter carregado muito psicologicamente as estruturas arquetípicas, deixando-se de perceber e aprofundar suas contrapartes biológicas, fornecendo fundamento para uma ciência integral e integrada. Todavia, esta discussão acontecerá em outros textos, mais adiante. No momento o que nos interessa é que o sonho podem ser trabalhado no seu contexto individual, a coletividade existencial, presente na estrutura da personalidade.
Supervisão Psicopedagógica.
Outro método que pode ser utilizado em ciências da educação pelos educadores é a supervisão psicopedagógica. A inspiração inicial foi o modelo da supervisão psicanalítica, que consiste em trabalhar a relação analista/analisando numa perspectiva da transferência e contra-transferência. Ou seja, no contexto do trabalho analítico as emoções e envolvimentos entre psicanalista e cliente são levados para a supervisão no sentido de dissociar a função transferencial. Ou seja, o envolvimento de ambas as partes no tratamento impede o próprio tratamento, uma vez que sai de foco os conteúdos inconscientes para entrar em cena os envolvimentos afetivos e emocionais. No âmbito da escola acontece a mesma coisa. O tipo de relação estabelecida na dinâmica professor/aluno pode impedir não somente questões referentes à aprendizagem como também o processo de facilitação para o autoconhecimento.
Para esta finalidade são formados pequenos grupos (até 10 componentes no máximo), onde os educandos expõem situações vivenciadas em sala de aula (ou em outro contexto), para que seja tornada consciente a projeção do sujeito. Até aqui pode ser utilizado o modelo psicanalítico tradicional. No entanto, também pensamos ser necessário acrescentar alternativas. A primeira delas é incrementar aos trabalhos alguma modalidade das narrativas para que o inconsciente possa se abrir para outras esferas além da relação transferencial. A criatividade deve ser um componente dinâmico buscado no processo do autoconhecimento, e utilizar elementos da psicologia transpessoal, (o sonho acordado, imaginação ativa) diário de bordo, meditação e outros ingredientes, podem ser bem vindos quando o propósito não é doutrinar a psique, mas facilitar sua auto-descoberta..
Ainda uma palavra.
Acreditamos que sempre é importante enfatizar que esta ou qualquer metodologia de formação, não é a verdade absoluta ou o caminho para ser rigorosamente percorrido por educadores ou quem quer que seja. São apenas sugestões para ser tomadas ou postas de lado, depende da escolha de cada um.
Do mesmo modo, é importante esclarecer que quando definimos a individuação como a emergência da consciência nas dimensões da alma (Histórica, Mítica e Mística), estamos apenas sugerindo um modelo teórico da personalidade. A prática é outro terreno, que no momento em que se procura estabelecer parâmetros de causalidade entre teoria e prática, cai-se na armadilha de desvirtuar o sentido do autoconhecimento e a possibilidade de descobrir a si mesmo. Este é perigo do mundo acadêmico quando tratamos das relações humanas. Esquecer de si e do outro como construção para escutar os modelos teóricos. Os modelos são pistas que podem indicar as formações estruturais da personalidade, de acordo com a visão de determinado estudioso. Não se trata de verdade par se comprovada, posto que nosso sistema de crenças geralmente são comprovados numa ou noutra argumentação. E então deixamos de perceber as qualidades genuínas e criativas da alma humana.
[1] O Mito do Significado no Contexto da Religiosidade numa Narrativa Autobiográfica: Reflexões para uma Pedagogia da Individuação. Tese de doutorado. Porto.FPCE-UP.2002.

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