consciência holográfica

Tuesday, December 06, 2005

A CONSCIÊNCIA HOLOGRÁFICA

A CONSCIÊNCIA HOLOGRÁFICA



RESUMO


A consciência holográfica é um termo designado para se tentar compreender a consciência como um todo inseparado. Ou seja, a consciência sem está focalizada em objeto algum, o que implica não perceber as variadas situações existenciais, porém, neste grau de percepção, a consciência não está fixada em objetos ou situações específicas. A psicologia transpessoa denomina este nível de consciência de “consciência cósmica” e as tradições místicas denominam de Iluminação, Nirvana, Reino, Satori, e outras. A presente reflexão está voltada para a importância da Consciência Holográfica na psicoterapia e na educação, como formas de transformação psicobiossocial e espiritual.


Introdução

Cada vez mais estudiosos da consciência tanto na área da psicologia como na física quântica, biologia, campos da medicina e outras áreas do conhecimento, vem contribuindo com pesquisas e métodos de tratamento para que compreensão e importância da consciência holográfica. Ou seja, a consciência uma, não fragmentada em relação aos fenômenos imanentes e transcendentes. As pesquisas apontam que nesse contexto a consciência tem poderes extraordinários sobre a existência, e que o nível de transformação coletiva pode definir um tipo de educação mais voltada para o Ser e para a vida.
No que diz respeito a nossa formação profissional como psicólogo e professor universitário, vamos tratar da consciência holográfica voltada para o campo da psicoterapia e da educação, lembrando que esta tomada de posição é simplesmente pedagógica, não podendo de modo se restringir a determinada área do conhecimento, uma vez que não existe de fato linha divisória quando estamos nos referindo à consciência holográfica.

Consciência Holográfica

Para compreendermos melhor a definição de Consciência Holográfica, se faz necessário definir antes o que pretendemos dizer sobre a consciência e seus planos de referência. A palavra consciência é que conotado como sendo o observador que opera para além das influências genéticas, sociais e culturais. O que não que dizer separatividade, mas antes, a capacidade de perceber para além das lentes mencionadas. No sonho a consciência aparece como observadora da trama onírica, muito embora não normalmente não interfira nas atividades das personagens envolvidas na trama. Em algumas tradições místicas é denominada de “presença”, para conotar o valor de sua vivida ação, embora descontaminada da maré dos condicionamentos.
Neste contexto pode se indagar onde fica localizada a consciência, que é uma pergunta normalmente efetuada, principalmente pelos estudiosos do cérebro. A resposta para tal questão vem da própria definição da consciência que estamos tratando neste trabalho. Ou seja, muito embora a consciência esteja em conexão com o cérebro, não se pode definir precisamente sua localização, posto que ela engloba e transcende uma possível localização. De um modo geral, na medida em que a consciência é “vista” em determinado nível da realidade, os outros níveis ficarão ocultos ou inconscientes, salvo na experiência da consciência holográfica. O próprio termo localização denota a espacialidade e temporalidade da consciência, o que não sentido no contexto de nosso estudo. O que se pode dizer, é que existem planos da realidade na qual consciência pode entrar em conexão e ser visualizada neste nível, dando a impressão de isolamento e separação. Todavia, quando o observador é desperto de forma integral, temos a consciência holográfica, que sempre esteve disponível, mas que os eventos e objetos que estamos identificados nos impedem de perceber integralmente.
Assim, algumas definições sobre a consciência holográfica já podem ser delineadas. Em primeiro lugar, que a consciência holográfica é a função da inteligência holográfica, que se percebe de forma total, sem emendas e sem separação. Em segundo ligar, quer a uma das características da consciência holográfica (Csa H) é o desapego ou desidentificação dos fenômenos e objetos que estão formalizando determinado nível. Como foi dito anteriormente, isso não implica negar determinados feixes da realidade, porém e o mais importante é não identificar os feixes da realidade com a realidade, que é a conexão entre todos os planos da realidade e o que está alem disso.
Outra questão importante que normalmente vem sendo apontada por alguns estudiosos, é que a consciência faz parte do mundo interior do sujeito, implicando que lá fora existe um mundo exterior. Neste ponto a consciência, simplesmente é, pois não se trata de processo de localização. O mundo denominado interior e exterior está na consciência, sem distinção e sem localização. O problema da localização é de outra natureza, e em outro momento pode ser discutido. O que caracteriza a consciência é a presença do observador ativo, que testemunha nossas ações, mas, não está identificado ou prisioneiro delas.


Consciência e Mente


“Se nos identificamos com a mente, criamos uma tela opaca de conceitos, rótulos, imagens, palavras, julgamentos e definições que bloqueia todas as relações verdadeiras. É essa tela de pensamentos que cria uma ilusão de separação, uma ilusão de que existe você e um outro totalmente à parte” (Tolle, 2002:19). A mente é uma metáfora que pode ser compreendida em termos de tela, na qual projetamos nossos padrões genéticos e culturais, que nos fixam em certa identidade congelada no tempo e no espaço. A mente são as ilusões que criamos e cultivamos para sobreviver em determinado momento da construção da personalidade. No entanto, também é igualmente necessário que as identificações sejam ultrapassadas para se ver com clareza e agir conforme o momento. Essa é uma das características da maturidade, que não tem necessariamente vinculação com a idade cronológica.
A consciência é a presença integral do agora e o observador silencioso que testemunha a mente e os planos da realidade sem ficar identificado. ‘No momento em que o observarmos, sentimos seu campo energético dentro de nós e desfazemos nossa identificação com ele, surge uma nova dimensão da consciência. Chamo isso de Presença. Passamos a ser testemunhas ou observadores do sofrimento. Isso significa que ele não pode mais nos usar, fingindo-se ser nosso eu interior. Então não temos mais nada como alimenta-lo. Aqui está nossa mais profunda força interior. Acabamos de acessar o poder do Agora” (Toller. 2002:41) [1]. O autor propõe que o poder do agora e a consciência são a mesma coisa ou possui a mesma qualidade. Quando a consciência percebe a qualidade holográfica em si mesma, o poder equivale à divindade criadora. Antes de tratarmos dos planos da realidade, tocares sobre a consciência e suas funções.

A Consciência e suas conexões

Conexões Locais

Para definir os termos acima, se faz importante discutirmos os planos da realidade. É fundamental ressaltar que a realidade é uma costura sem emendas, mas como um cristal pode aparentar várias facetas, embora sejam todas as facetas fazem parte do mesmo cristal. As conexões locais são relações estruturas no espaço e tempo pela função da causalidade. Em um outro ângulo de percepção podemos dizer que as conexões locais são redes de conexões vividas pela consciência em um determinado plano da realidade, na qual essa mesma realidade é focada em detrimento de outros níveis do real. Ou seja, quando um plano da consciência está sendo focalizada, os outros níveis ficam inconscientes, com exceção da experiência da consciência holográfica.


Conexões não-locais



Nas conexões não-locais, a função da causalidade não está presente, mas sim, a função que envolve a sincronicidade, que são formações que ocorrem pelo sentido e significado de ressonância, não dependendo de distâncias ou congelamentos estabelecidos pelo tempo e espaço. As conexões não-locais podem ser acessadas pela percepção local, mesmo que não sejam compreendidas em sua existenciabilidade. Por exemplo, na consciência onírica, podem existir vários fenômenos não-locais, como significações simbólicas, premonição, conexões com outros planos, etc. Quando tais fenômenos emergem para a consciência sensorial, poderá haver uma necessidade equivocada de se conotar do ponto de vista da causa e efeito. Ou seja, o equivoco acontece quando tentamos traduzir experiências de determinado plano da realidade em outro que estamos acessando.


Conexões Sinergéticas.


É propriamente o domínio do observador silencioso no contexto da transconexão entre a função local e não local. A interseção experienciada pela consciência é de fato do ponto de vista de nossa definição, uma das formas de atuação da consciência holográfica. Sinergia e a cooperação e harmonia entre as funções da consciência e os planos existências, na qual esse estado de equilíbrio não pode ser obtido pela soma das função ou dos planos da realidade, seu poder vem do vazio pleno. Sinergia é a capacidade de trabalho de todos os potenciais do Ser, que estão sendo observados pela consciência holográfica.

Planos da realidade

A consciência e os planos da realidade são basicamente sinônimos, pois somente podemos falar em planos da realidade através da participação da consciência. Nunca é demais recordar, que tais planos são feitos da mesma matéria da consciência, e somente aparentam separação, a partir da percepção, uma vez, o observador silencioso, enxerga os personagens dos planos do real como sendo parte de um mesmo processo, e que servem como ferramentas para seu trabalho.
Do ponto de vista pedagógico, vamos estabelecer as funções da realidade em termos de plano vertical e horizontal. Trata apenas de um construto para que a mente descritiva possa compreender.

Plano Vertical da Realidade

Plano Arquetípico.

Este é o plano do vazio pleno, no qual todas as possibilidades do universo estão virtualmente sob o poder da consciência holográfica. É a morada do observador silencioso, que dispõe do poder e plenitude da criação. No entanto, é importante ressaltar que o plano arquetípico não tem nada haver com o universo material. Em uma linguagem mais próxima podemos comparar com os campos quânticos do universo subatômico.

Plano da Criação.

A partir do plano da criação, a consciência recolhe no universo virtual, ondas de criação e destruição para construção do universo no qual está inserido. Virtualidade significa imagens reais que a consciência poderá fazer uso para conservação e descontinuidade da bioenergia que vai posteriormente alicerçar o campo das manifestações ou o mundo fenomênico. Antes de criar o mundo, este é planejado, conforme a vibração que deseja a consciência. Porém ainda estamos longe da condensação do desejo da alma.

Plano de Formação.

O plano da formação diz respeito aos padrões pré-colapsados, mas que já estão moldados pelos padrões do inconsciente coletivo (família, cultura, sociedade, etc.) Entretanto, novas formas de percepção do mundo, podem continuar organizando e moldando o indivíduo e a coletividade, a partir da captação do percepto. A bioenergia é mais densa e seus efeitos podem ser sentidos no campo da manifestação.

Plano da manifestação.

É de fato o campo fenomênico, no qual a consciência se manifesta. Nele está a organização genética, cultural e social predominante. Os padrões são mais densos e estáveis, o que não quer dizer imutáveis. Aqui está o arquétipo do reino, no qual as leis e as regras já estão estabelecidas e predominam, dando a sensação de continuidade e linearidade.

Plano Horizontal da realidade.

Consciência sensorial.

É a realidade moldada ou filtrada pela senso-percepção, remetendo a sensação individualidade e identidade do eu. Normalmente o campo sensorial envolve o tempo, espaço e causalidade. Temos a percepção de estarmos despertos e nossa existência é conectada pela aparente concretude que os fatos apontam em nossa interpretação.

Consciência onírica.

Trata-se do estado da consciência dos sonhos e dos estados hipnagógicos que este nível de realidade demanda. Muitas vezes, o estado onírico por ser mais flexível às ações da alma, conota verdadeiras conexões não-locais, que são estados de descontinuidade, o que pode necessitar do mediador simbólico.

Campo simbólico

É a realidade ou estado da consciência movido pelo sentido e significado das coisas, situações e perspectivas existenciais. Trata-se da bioenergia menos concreta ou menos material da forma como conhecemos, no entanto, os padrões de interações já estão dispostos pela cultura, a menos que o sentido venha do âmago da alma.

Estados alterados da csa.

Colocamos neste contexto, os estados de transe, as experiências de quase morte (EQM), as Experiências foras do corpo (EFC) e os estados de expansão da consciência (EEC). Todavia, é importante focar que, rigor a consciência é única, não podendo haver expansão ou retração da mesma. O que ocorre é um tipo de desidentificação com o estado sensorial, onde a identidade do eu é uma referencial fortemente condicionada.


Consciência holográfica.

A consciência holográfica diz respeito ao estado de unidade e não divisão da consciência, no qual o observador silencioso adquire plena percepção de si mesmo e do universo como uma única realidade. Isso não implica que a realidade não tenha diversas facetas, mas que são projeções da mesma origem, criação e bioenergia.








Considerações.



O estudo sobre a consciência e suas conexões tem sido objeto de estudo de várias áreas da ciência, principalmente, a psicologia, biologia, física e neurologia. De um modo geral, os estudos têm convergido para idéia da consciência não vinculada a penas ao cérebro, mas tendo formação holográfica, e não podendo ser localizada simplesmente no tempo e no espaço. Estudos na área da medicina e da psicologia, nomeadamente no processo de cura, vem demonstrando que a consciência holográfica quando desperta leva o sujeito e a coletividade para níveis profundos de poder e criatividade. Importa ainda refletir que despertar a consciência holográfica não é descobrir o que já existe, mas colocar o eu em estado de expansão ou de desidentificação com situações ou objetos que caracterizam a diversidade dos planos da realidade. Dois processos podem colocar a alma na trilha do observador silencioso que conduz a consciência holográfica. O primeiro diz respeito ao desenvolvimento evolutivo da humanidade em níveis de continuidade desde a infância até a velhice. A segunda forma é instantânea e descontinua, não dependendo do desenvolvimento linear da personalidade. A segunda forma de conexão com a consciência integral, pode ocorrer em determinadas experiências específicas ou em situações provocadas através das sociedades iniciáticas, meditação e estados de expansão do eu. Este assunto tema será discutido em momento posterior.

Bibliografia
CAPRA, Fritjof. As Conexões Ocultas. São Paulo. Cultrix. 2002.
__________. A Teia da Vida. São Paulo. Cultrix. 2.000.
_________. E outros. O Paradigma Holográfico. São Paulo. Cultrix. 1995.
MARINO, Raul Jr. A Religião do cérebro. São Paulo. Gente. 2005.
TALBOLT, Michael. O Universo Holográfico. São Paulo. Best Seller. 1991.
TOLLER, Eckhart. O Poder do agora. Rio de Janeiro. Sextante. 2002.




















[1] O Poder do Agora.

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